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sábado, 29 de abril de 2017

Novas Exigências para o Mercado de Reposição de Componentes Automotivos

Atenção varejistas de componentes automotivos!


O INMETRO estabeleceu uma nova exigência para o mercado de reposição de componentes automotivos à partir de sua Portaria n.º 301, de 21 de julho de 2011, e suas complementares Portaria 275/2012, 1Portaria 16/2013, Portaria 455/2014, Portaria 29/2015.

 
Agora, são objeto de certificação compulsória (obrigatória) diversos componentes automotivos destinados ao mercado de reposição, incluindo:

- AMORTECEDORES DA SUSPENSÃO
- BOMBA ELÉTRICA DE COMBUSTÍVEL PARA MOTORES DO CICLO OTTO
- BUZINA UTILIZADA EM VEÍCULOS RODOVIÁRIOS AUTOMOTORES
- PISTÕES DE LIGA LEVE DE ALUMÍNIO, PINOS E ANÉIS DE TRAVA
- ANÉIS DE PISTÃO
- BRONZINAS
- LÂMPADAS PARA VEÍCULOS AUTOMOTIVOS

Apesar da Portaria 301/2011 inicialmente estabelecer vigência à partir de 2014, uma portaria posterior de número 29 de 21/01/2015  determinou como prazo final desde 01 de janeiro de 2017 para que os Componentes Automotivos citados acima sejam comercializados no mercado nacional somente em conformidade com os Requisitos estabelecidos nas portarias e devidamente registrados pelo Inmetro.

Os distribuidores e as oficinas devem ficar atentos na hora de adquirir um produto cuja certificação seja compulsória e esteja dentro do prazo vigente. É muito importante lembrar que Portaria do Inmetro tem força de lei: um produto que não está certificado é um produto ilegal!
 

domingo, 23 de abril de 2017

A ISO 9001:2015 e o Conhecimento Organizacional






Em setembro de 2015 foi lançada a nova versão da ISO 9001, norma que determina requisitos para sistemas de gestão da qualidade.

Em seu requisito 7.1.6, a norma enfatiza a importância da organização determinar o conhecimento necessário para a operação de seus processos e para alcançar a conformidade de produtos e serviços, bem como de considerar seu conhecimento no momento de abordar necessidades e tendências de mudanças.

Ocorre, entretanto, que empresários, consultores e até mesmo auditores vem abordando a questão em diferentes níveis, que vai desde o básico de preservar o conhecimento em procedimentos e instruções de trabalho na documentação do SGQ, até o extremo de quase estruturar um novo departamento para gestão do conhecimento, ao nível Google (!?).

Claro, a organização que puder aproveitar a oportunidade e tiver as condições para abraçar tal empreitada, este é o momento, mas e as organizações de pequeno e médio portes?

Sempre defendi que o maior patrimônio de qualquer organização são as pessoas, e o conhecimento que elas desenvolvem; Imagem, reputação, clientes, retorno financeiro, tudo isso resulta de um bom equilíbrio na gestão de pessoas e conhecimento. Mas plataformas digitais, equipes motivacionais, analistas dedicados à gestão do conhecimento são realmente essenciais para atender à este requisito da ISO 9001:2015?

Defendo que não!

Esta nova versão da norma vem justamente resgatar o princípio prático de sua aplicação, idealizado desde suas primeiras versões e bastante presente nesta última em particular.

O conhecimento organizacional à que se refere é o conhecimento específico da organização, oriundo tanto das experiências coletivas como das experiências individuais das pessoas da organização, nos seus diversos níveis...
Por exemplo, no nível estratégico, conhecimento organizacional pode ser adquirido à partir da realização de benchmarking, observando as melhores práticas em outras organizações de mesmo segmento e adaptando estas informações à realidade da própria organização.

Já no nível tático, a fim de preservar conhecimento podemos adotar a prática de mentoreamento. Mas cuidado! O(a) mentor(a) e seu discípulo(a) ou afilhado(a) devem compartilhar mais que uma simples situação de instrução, característica de treinamentos comuns. Mentor(a) e discípulo(a) desenvolvem mais do que uma relação de aprendizado, um relacionamento de confiança.

Em minhas diversas implementações e auditorias também vejo com certa regularidade a prática do job rotation, principalmente no nível operacional (fabril/serviços e administrativo), onde dentro de uma mesma área os colaboradores aprendem as funções de seus colegas na prática, sendo monitorados por eles durante o tempo de aprendizado.




Estas são as três palavras que representam os principais pilares da gestão do conhecimento, que atendem ao requisito da norma e que podem ser implementadas de diversas maneiras, com diferentes níveis de complexidade e necessidade de recursos, para organizações de todos os tamanhos.

Para quê complicar se é a norma quem
deve trabalhar para nós,
e não o contrário!



Fábio Carvalho possui vivência de mais de dez anos implementando, coordenando e auditando Sistemas de Gestão da Qualidade e Ambiental.
Licença Creative Commons
A ISO 9001:2015 e o Conhecimento Organizacional de Fábio Carvalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.


domingo, 9 de abril de 2017

Mas afinal, o que é Growth Hacking?

Por Douglas Souza
Digital Marketer/Growth Hacker

Growth Hacking tem sido um daqueles “trend topics” bem complexos de se explicar. Em seu artigo Growth Hacker is the new VP Marketing, Andrew Chen, hoje head of growth da Uber, popularizou o tema enfatizando a mudança de cultura no Vale do Silício em relação ao novo cenário do marketing, destacando a importância do conhecimento técnico na tomada de decisão. E, com a revolução da internet, é difícil pensar diferente.

Em um mundo com canais extremamente fragmentados, onde há bilhões de usuários demandando conteúdo, produtos e serviços, e que, por outro lado, as barreiras de entrada para a oferta dos mesmos é baixa, cria-se um cenário perfeito para um mercado extremamente dinâmico. Pense. Cada interação dentro de todo esse furacão de informações apresenta uma montanha de dados. Perguntas do tipo “Como faço para adquirir mais usuários?” deveriam ser respondidas com dados, e é aí que entra a parte técnica.

Muitos acreditam que o Growth Hacking é um mix de programação, marketing e ciência de dados.


Eu concordo totalmente e é por isso que eu acredito que Growth Hacking é um processo e um time, e não apenas um profissional ninja lutando contra o marketing tradicional, como muito pintam por aí. É quase impossível ser um excelente programador, conhecer diferentes linguagens e API’s, fazer análise cohort, conhecer todos os canais de aquisição, Search Engine Marketing, Pay Per Click, neuromarketing. É muita coisa.

Então, como seria esse processo?

Calma lá, deixa eu dar uma dica primeiro: antes de pular diretamente para o processo, há algumas questões que devem ser validadas. A primeira e mais lógica é entender o seu modelo de negócios. Eu particularmente adoro o blend entre Business Model CanvasValue Preposition Canvas e The Hook Canvas. Não vou me delongar neles, mas quando você terminar os três você terá uma visualização muito mais clara do seu segmento, dos argumentos de persuasão e um escopo muito mais claro da sua empresa.

Dica: acompanhe o trabalho do pessoal da Growth Tribe, boa parte do que eu aprendi sobre growth foi com as referências deles.
Mas vamos que interessa!

PRIMEIRA PARTE DO PROCESSO: THE PIRATE FUNNEL

O pirate funnel é uma excelente forma de organizar os seus KPI’s. Dave Mcclure, o criador do funil, conseguiu sintetizar todo o customer life cycle em etapas que simplificam muito na hora de escolher a métrica que realmente importa, a famosa OMTM. Mas nós vamos chegar lá, primeiro vamos dar uma olhada no funil.


Como já havia comentado, hoje em dia tudo é mensurável, portanto, nada melhor que acompanhar o seu futuro cliente desde o momento que ele preenche o primeiro formulário, até o momento que ele convida os seus amigos para usar o seu produto. É importante entender o funil pois quando você começa analisar as métricas referente a cada etapa, você entende os gargalos do seu negócio.

Acquisition

As suas métricas de aquisição devem demonstrar quais canais estão funcionando ou não. Olhe para a taxa de conversão e o custo por conversão de cada canal. Entenda a escalabilidade dos mesmos. Já tive casos em pegar campanhas de adwords com custo por conversão baixíssimo e parcela de impressão (que é a quantidade de vocês que o seu anúncio aparece para cada busca feita) de 15%. Se você encontrou um canal que funciona, foque nele e use apenas uma parte da sua verba para testar os outros.

É muito comum olhar apenas para o tráfego em começos de funil. Se você tem 10.000 pessoas por mês no seu site e uma taxa de conversão de 0.2%, é muito mais fácil aumentar 10x a taxa de conversão do que 10x o tráfego.

Bata forte no CRO na fase de acquisition!

Dica: esse curso de CRO está com um bom desconto no Udemy. Vale cada centavo.

Activation

No mercado de SaaS (Software as a Service), é muito comum usar demonstrações para engajar os usuários com o produto. Se o usuário se registrou para fazer uma demonstração é porque o seu produto conseguiu despertar algum nível de interesse, e isso significa que ele teve uma primeira boa impressão.


Também se faz necessário entender o nível de interação com produto. Digamos que 10 usuários tenham se cadastrado na sua demo e 80% deles tenha ficado apenas 15 segundos. É um péssimo sinal, não é mesmo? Talvez seja hora de repensar a interface, melhorar a UX, ou até mesmo mudar as funcionalidades. É esse tipo de insight que pode levá-lo a ação e melhorar o seu produto.

Você pode facilmente adaptar isso para o seu website, caso não tenha uma demo do seu produto. Verifique os usuários que fizeram + de uma sessão, que ficaram + de 10 seg ou que deram + de 5 cliques, por exemplo. Seja criativo, importante é mensurar o quão fantástica tem sido a primeira experiência do usuário, é disso que se trata essa fase do funil.

Retention

Depois que você testou os seus canais de aquisição e o usuário passou a usar o seu produto, é importante saber se ele está voltando. Muitos irão usar o seu produto uma única vez e nunca mais irão voltar. Isso é problemático pois você gastou tempo e dinheiro na fase de aquisição e retenção.

As métricas aqui são bem relativas. Eu tenho trabalhado com o Nerdspell, um app de relacionamento voltado para o público nerd, e, para nós, mensurar a quantidade de vezes que o usuário usou o app durante o período de uma semana faz todo o sentido, porém nem todos os produtos tem uma necessidade de interação constante. Você deve entender o que significa retenção dentro do seu segmento.

Não saia fazendo ligações comerciais para quem se cadastrou numa demo, tente agregar valor e ajudá-lo. Se você ajudar o usuário demonstrando os principais benefícios do seu produto e conseguir linkar esses benefícios as necessidades dele, sem dúvidas ele estará muito mais propenso a virar uma real oportunidade. Eu cansei de receber e-mails extremamente agressivos apenas por ter me cadastrado em uma demo. Péssima prática.

Referral

Você provavelmente já viu por aí algo como “convide seu amigo e ganhe mais 5GB de espaço livre”. Isso é referral. Fazer com que usuários ativos convidem os seus amigos para testar o seu produto.

O famoso boca a boca é, provavelmente, uma das formas mais baratas e com maior taxa de conversão para se adquirir novos usuários. Mas a verdade é que na maioria dos casos ninguém sai por aí falando sobre o seu produto. Você precisar criar incentivos.

Um dos cases mais clássicos de campanhas de referral é o da Dropbox. A empresa fez diversos experimentos com mídias pagas, inclusive fazendo campanhas de Google Adwords. Eles estavam gastando de US$233 a US$388 para adquirir um usuário que gerava US$ 99 para a empresa. FAIL!


O que realmente alavancou a Dropbox foi a campanha de referral. Para cada amigo cadastrado que o usuário ativo recomendou, ambos ganhavam 500 MB de espaço livre.




É bem provável que você tenha alguma maneira de incentivar os seus usuários a fazer o velho e bom boca a boca.

Recentemente o Rodrigo Noll, Gerente de Marketing da Sbtur e um dos fundados da Growth BR, escreveu um artigo sobre o tema:
Vale a pena a leitura.

Revenue

É onde você descobre se a mágica deu certo ou não. Aumentar o preço do seu produto em 30% pode diminuir a taxa de conversão e o volume de vendas, porém, pode aumentar o MRR (receita recorrente mensal) e o LTV (valor de tempo de vida do cliente).

Consegue entender a importância de por na ponta do lápis o retorno sobre as ações? Nós podemos facilmente nos enganar pelas métricas. Se um experimento aumentar em 10% a taxa de conversão e tiver um custo recorrente que não cubra a receita dada pelo aumento da taxa de conversão, ele é prejudicial mesmo com o aumento de 10%.

Essa é provavelmente a parte mais perigosa do funil e a que mais merece atenção. Recomendo o melhor artigo que você pode ler na vida sobre o tema:


Porque usar o PIRATE FUNEL?

O funil é uma maneira simples de entender as forças e fraquezas do seu negócio. Você conseguirá ter visualização clara das métricas que realmente importam para o crescimento sustentável.


Simples de entender. Simples para se tomar ações.

SEGUNDA PARTE DO PROCESSO: THE ONE METRIC THAT MATTERS (OMTM)

Alguém falou em tomar ações?

A OMTM foi desenvolvida por Alistar Croll e Benjamin Yoskovitz no livro Lean Analytics. Basicamente o que os autores sugerem é que cada fase do processo de crescimento de uma empresa contém apenas uma métrica que realmente importa.

Alistar usualmente exemplifica a OMTM com um pessoa tentando estacionar um carro. Há várias métricas que podem ser levadas em consideração nessa ação, como a temperatura do motor do veículo, a quantidade de combustível ou até mesmo quantidade de passageiros, porém, para esse objetivo essas métricas são pouco relevantes, certo? A métrica que importa nesse caso é a distância do veículo detrás. Essa é a OMTM.

Agora volte e olhe para o seu PIRATE FUNNEL. Qual é a métrica que pode aumentar o seu ROI? Aumento de referrals? Taxa de conversão? Retenção muito baixa?

Para ajudar a determinar a mais importante, você precisa entender a fase que seu negócio se encontra. Peguei esse gráfico emprestado da meetime:



Sugiro a leitura do artigo:

Então, depois que você olhou para o seu PIRATE FUNEL e identificou a fase que o seu negócio se encontra, você já deve ter a OMTM. Agora ela entrará no ciclo G.R.O.W.S, que faz parte das próximas partes do processo.

Por que usar a OMTM?

Pra mim, o grande salto do Growth Hacking para o marketing tradicional é a capacidade de foco. É muito comum times de marketing criarem campanhas sem ter um objetivo claro. Além disso, muitas vezes há 4 ou 5 campanhas rodando (lá vem o princípio de paretto de novo).

No processo de Growth você identifica o que deve melhorar para depois pensar em otimizações ou campanhas.

TERCEIRA PARTE DO PROCESSO: G.R.O.W.S

Reforçando: boa parte do meu material de estudo vem da Growth Tribe, inclusive o framework que vou compartilhar com vocês a seguir.



Como você provavelmente reparou, o processo a partir de agora é cíclico. Note que a OMTM está no meio, reforçando aquilo que escrevi anteriormente: o foco das ações giram em torno da métrica.
Para facilitar o entendimento vou separar a última parte do processo em etapas, seguindo no sentido horário, que é o correto.

G.R.O.W.S:

Gather Ideas
Rank Ideas
Outline experiments
Work work work
Study data

Gather Ideas

Você irá começar o processo criando um backlog de todas as ideias que façam sentido para melhor a OMTM. Não tenha muito filtro, é hora de pensar fora da caixa.

Há inúmeras formas de gerar insights: olhando as suas ferramentas de web analytics, entrevistas/pesquisas com usuários, testes de usabilidade, Business Intelligence, e, pelo amor de deus, comunique-se com o time de vendas.

Rank Ideas

Depois de ter o seu backlog pronto é preciso priorizar os seus experimentos e os canais que você irá utilizar. Confesso que não tenho o costume de usar uma maneira cientifica para priorizar os experimentos. A esse ponto eu já estou utilizando o bullseye framework e sei os canais que devo utilizar.

Sugiro que use o BRASS. Eu honestamente achei muito trabalho para coisas que eu poderia ver “no olho”. Mas se você não se sente confortável usando um pouco a sua experiência/intuição. Just do it.

Outline experiments

Agora é a hora de pegar as suas ideias com maior ranking, chamar o time técnico e entender a viabilidade dos experimentos.
Faça isso para minimizar os riscos/custos de algo dar errado.

Work Work Work

Faça. Simplesmente faça.
Lembra da parte técnica? Pois é.

Study data

Hora de cair fundo nos dados e entender quais foram os impactos na OMTM. Dê o devido grau de importância para os dados qualitativos e quantitativos. Usualmente os dados quantitativos mostram o que está errado, mas são os qualitativos que demonstram como melhorar.

Novamente a melhor forma de fazer isso é cair pra cima das suas ferramentas de web analytics e BI. Com os resultados você saberá se o experimento foi bem sucedido ou não. Se foi bem sucedido, parabéns. Se não, volte para o seu backlog e pegue a sua segunda hipótese.

Importante

A grande maioria dos experimentos falha. É por isso que é importante segurar as expectativas e entender que as falhas contribuem para um processo de aprendizagem enorme.
Nem todo o resultado é a “bala de prata”. Nem sempre o sucesso de um experimento irá trazer milhões para a empresa. Mas eu garanto que uma série de pequenas vitórias podem trazer resultados extremamente significativos.

Sugestão de ferramenta para gerenciar os experimentos

Eu tenho usado o Pipefy e ele é excelente pra se livrar das planilhas. É extremamente intuitivo e adaptado ao processo de growth e o PIRATE FUNNEL.

CONCLUSÃO, DÚVIDAS E CRÍTICAS

Growth Hacking não é CRO, não é bala de prata e, definitivamente, não é algo que nós “sempre fizemos”. É um processo novo que eu acredito que veio para ficar. Há uma expansão absurda do mercado de SaaS e Apps e essas mudanças surgiram por consequência do cenário.

Dicas, dúvidas e críticas. Chame no meu Linkedin.

Acessado em 09/04/2017, 13:10 - Horário de Brasília




domingo, 2 de abril de 2017

O Tratamento de Lixo no Japão

O bom exemplo no tratamento do lixo vem do outro lado do mundo.



As ruas das cidades são absolutamente limpas. A preocupação das pessoas vai além da reciclagem. O cuidado é não produzir muito lixo, mas é inevitável ter sujeira, dejetos, coisas que a gente joga fora. A visita a uma moderna usina de tratamento mexe com a cabeça da gente.

Elas se espalham pelo Japão. De longe, parecem prédios, mas são chaminés, a parte mais visível de como os japoneses tratam o lixo. Não há depósitos abertos, lixões, mas locais como o da cidade de Saitama, vizinha a Tóquio.

O entra e sai dos caminhões é constante. Trazem lixo dos bairros ao redor, quase 400 toneladas por dia. Os moradores já separam em casa o que é orgânico do que é reciclável. Cada caminhão traz um tipo de lixo, tratados de forma diferente.

Por trás das portas, fica o depósito de lixo orgânico. Quando os caminhões descarregam, é que descobrimos o tamanho do desafio: enorme. Tudo que chega é controlado de uma sala de vidro, um operador carrega remotamente o lixo até o incinerador.

Lá dentro, a queima acontece por uma hora, à temperatura de 1.800 graus centígrados. De um lado, forma-se um gás, que por uma tubulação alimenta uma turbina geradora de energia. De lá, sai eletricidade para atender o equivalente a 10 mil casas. De outro, o que sobra da tal queima, resíduos e metais, que são reaproveitados em sua quase totalidade como, por exemplo, para asfaltar ruas.

No mesmo prédio, mas para outro grande depósito, vai o lixo reciclável, o cuidado ali é outro. Uma enorme garra de aço tem capacidade de transportar até 3 toneladas de carga. No fundo, só tem plástico. Todo esse material vai para uma separação manual, antes de ir para reciclagem.

O processo é rápido. Funcionários separam garrafas pet do plástico comum. Latas de alumínio, metais, são distribuídos em outro setor. E, no final, tudo já sai embalado, limpo, pronto para ser vendido para centros de reciclagem. Assim, do total de lixo que chega à usina, apenas 4% não rendem nada, mas só até agora.
Um dos funcionários conta que, no futuro, ainda serão aproveitados esses 4%, retirando vários tipos de metal contidos ali.

Para quem se espanta com tanta dedicação ao lixo, tem mais. Em um prédio ao lado, foi montado um centro social, onde os moradores se encontram. Podem mergulhar em banheiras com água a 40 °C, fazem ginástica. Tudo funciona com a energia gerada na turbina do lixo.

Adaptado de: Portal G1 - Globo.Com
Acessado em 02/04/2017, 17:50 - Horário de Brasília